domingo, 15 de agosto de 2010

domingo, 8 de agosto de 2010

Matizes Bordados Dumont







O fio dessa história começa lá em Pirapora, cidade banhada pelo Rio São Francisco, onde existe um grupo de artistas, da mesma família, que através do bordado e da Arte tornou essa cidade encantada.

As línguas se perderiam se avós e netos não pudessem falar uns com os outros. O mesmo se pode dizer das artes e ofícios.

O bordado está na vida da família Dumont desde sempre. D.Antônia aprendeu com a mãe, depois ensinou às quatro filhas, que ensinaram às suas filhas...

O irmão, Demóstenes, enquanto isso, registrava em desenhos histórias contadas pelo pai, imagens daquela cidade, brincadeiras na roça, danças, festas, o rio sempre perto. Foi ele quem deu o primeiro ponto nessa história de trazer o bordado para o espaço das Artes Visuais, através da ilustração de livros. Demóstenes faz os desenhos para ilustrar as histórias que a mãe e as irmãs bordam.

Hoje, talvez por sugestão daquele rio sempre indo, cada um mora em uma cidade diferente, mas através dessa atividade a família está de certa forma reunida novamente em volta de D. Antonia, de Pirapora. Essas narrativas, contadas ao ritmo do vai-e-vem da linha e da agulha, falam um pouco da história da família, da cultura dessa região, onde foram crescendo, observando as mudanças da natureza, tendo o rio como metáfora da vida.

São pequenas telas, que através do bordado nos remetem à qualidade cromática da pintura, sempre relacionadas às cores da natureza. Delas vão nascendo árvores, casas, ruas, caminhos, noites, dias, e vida também!

O trabalho com o bordado tomou uma dimensão tão grande, que acabou expandindo a atividade de ilustrar livros, levando essa arte a todos os cantos, através de oficinas e projetos de inclusão social.

E assim o fio dessa história chegou até nós. Primeiro nos encantamos com os livros. Depois com o bordado que os ilustrava. Depois com a experiência de criar com linha e agulha.

O bordado gera proximidade, cumplicidade. Ao bordarmos juntos, cantando e contando casos, aproximamos gerações, nos aproximamos da Arte, da poesia, da nossa terra, da natureza e de seus detalhes. Resgatamos as metáforas da nossa própria história e podemos até mesmo reinventá-la.

Da proximidade com Marilu e Martha Dumont, que estiveram generosamente entre nós, nos ensinando um pouco do que Dona Antônia ensinou a elas, conseguimos sentir o efeito dessa cumplicidade criada pelo entrelaçar de linhas e agulhas. Cada hora que passamos bordando (e foram muitas!) aproximou alunos, professores, pais, funcionários, profissionais e alunos da escola parceira, em torno de uma arte que ilustra, embeleza, mas que, acima de tudo, nos aquece. Espero que um pouco do calor, da proximidade, do carinho e das histórias que vivenciamos durante esta experiência estejam bem visíveis nos trabalhos que vocês agora vão conhecer aqui.

Lívia Haele Arnaut, professora de Artes Visuais do Libertas.


http://www.matizesbordadosdumont.com/

.

domingo, 18 de abril de 2010